segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ENTREVISTA COM JACQUES LE GOFF- HISTORIADOR FRANCÊS ESPECIALISTA EM IDADE MÉDIA

                                       ENTREVISTA COM JACQUES LE GOFF
Realizada por François Giron e publicada originalmente na revista Le Point, nº duplo 1684/1685, de 23 a 30 de dezembro de 2004.   (Tradução: Leticia Ligneul Cotrim  e Revisão técnica: Mauro Almada)

           Jacques Le Goff, professor universitário e medievalista é considerado, merecidamente, um dos mais importantes historiadores da atualidade. Munido de sua paixão pela Idade Média, ele lança aqui um novo olhar, indagador e profundamente humano, sobre o período

 
Le Point (LP): Enquanto historiador da Idade Média, o Sr. deve ter estudado bastante as cidades desse período, sua importância e seu papel. A cidade medieval foi uma continuação da cidade antiga ?

Jacques Le Goff (JLG): Na passagem da Antiguidade para a Idade Média, as cidades se transformaram profundamente. Na Antiguidade, a cidade desempenhava três papéis principais: primeiro, um papel militar, uma vez que, no Império Romano, o recrutamento [déploiement] dos exércitos se apoiava nas cidades. Segundo, uma função administrativa e política. E por fim, uma função econômica, restrita ao consumo e sem ligação com a produção, uma vez que esta estava restrita às grandes propriedades rurais, denominadas villae.
           Na primeira metade da Idade Média, com o desenvolvimento do feudalismo, as cidades sofreram mutações. A antiga vocação militar declina, suplantada que foi pelo surgimento do castelo fortificado [château-fort], cercado de muralhas e fossos, que se torna o centro do poder, implantado principalmente nos campos do norte da França.
          A cidade, portanto, não abriga mais, nem a função de recrutamento, nem a de organização militar, papéis que lhe pertenciam. Os exércitos medievais, que por muito tempo foram temporários, eram convocados na primavera e, essencialmente, entre os homens do campo.
           Do mesmo modo, do ponto de vista administrativo e político, as cidades perdem sua importância. Ao menos por algum tempo.
           No entanto, a partir do século XII, e sobretudo no século XIII, período em que justamente ocorreu o que estamos chamando de 'gênese do estado moderno', aquele status quo sofreu uma reviravolta. Inicialmente, já desde o reinado de Philippe Auguste, houve a integração das cidades no sistema monárquico nacional. É em seu governo que Paris se torna a capital do reino. Mas, em minha opinião, é logo depois que acontece a principal mudança: ao invés de núcleos essencialmente voltados para o consumo, as cidades se transformam, também, em centros de produção, coisa que não eram na Antiguidade. Foi assim que a Idade Média assistiu ao desenvolvimento do artesanato. Esta é uma das características da cidade medieval. Ainda que ele já existisse nas pequenas aglomerações, irá se difundir principalmente nas cidades e utilizar – para moer os grãos e prensar os fardos de lã – a primeira máquina desenvolvida no Ocidente: o moinho. Poderosos moinhos hidráulicos, os primeiros a movimentar riachos, rios e grandes cursos d'água. Só mais tarde, a partir do final do século XII, é que aparecem os moinhos de vento. É preciso enfatizar, ademais, que a vocação do moinho está longe de ser predominantemente rural, como imaginamos hoje. Foi o moinho que forneceu a certos artesãos – moleiros e espremedores de uvas para a fabricação de vinho – a energia necessária ao incremento da produção.

Produtores levando seus grãos ao moinho.  (Imagem: Le Point)
LP: Esta cidade nova modelou uma nova sociedade ? De que modo ?

JLG: Deste ponto de vista, a cidade desempenhou dois papéis muito importantes. Em primeiro lugar, engendrou o surgimento de uma nova categoria social – a burguesia –, beneficiária das franquias e liberdades urbanas. O que é importante ressaltar aqui – mesmo que exista, de fato, uma hierarquia no seio dessa nova classe – é que, pelo menos teoricamente, os burgueses constituem uma sociedade igualitária.
           Com relação a este tema, é necessário modificar um pouco a imagem que geralmente se tem da sociedade feudal, a de uma sociedade hierarquizada compreendendo duas categorias de pessoas: os nobres e os não-nobres, isto é, os plebeus. Pois, na primeira categoria, havia muito mais igualdade do que se propala. No interior dessa nobreza – a classe dominante –, o mais importante a ressaltar é que senhores e vassalos estavam, de algum modo, em pé de igualdade, posto que, um senhor ainda que possuindo vassalos, podia ele próprio ser vassalo de outro senhor.
           O ato que permite a homens adultos ingressarem na camada superior do feudalismo – a homenagem [l'hommage](1) – é uma combinação de desigualdade e igualdade. O vassalo, em primeiro lugar, coloca as mãos entre as do seu senhor, gesto que simboliza seu juramento de obediência e demarca a superioridade deste último. Mas, logo em seguida, há o beijo, prova de igualdade entre ambos. Nas cidades, a exemplo desse modelo igualitário dos nobres, surge um modelo igualitário urbano e burguês.
           Isto instaura, em toda a sociedade, um sistema que assumirá diversas formas, mas que não vai mais parar de crescer na França, até a Revolução. Conseqüentemente, podemos afirmar que as cidades foram o berço da Democracia. Este é um ponto essencial.
            Mas existe ainda um segundo aspecto: foi nas cidades que se desenvolveu uma instituição fundamental, muito diferente, ela também, da que existia na Antiguidade: a escola. O Cristianismo havia criado escolas em seus centros de poder na alta Idade Média, os mosteiros e as dioceses – escolas monásticas e escolas episcopais. Mas, o que aparece no século XII são as escolas urbanas, que chamaríamos hoje de escolas primárias e secundárias. Costumamos nos esquecer delas, mas tiveram um papel capital. Há estudos que demonstram, por exemplo, como se desenvolveu no século XII, em Reims, uma importante escolarização das crianças, inclusive das meninas.
Um monge ensinando leitura.Miniatura do séc. XV. (Imagem: Le Point
LP: Em todos as classes ou somente na burguesia ?
JLG: Em todos as classes urbanas.

LP: E a nobreza?
JLG: A nobreza, em seus castelos, recebia uma instrução diferente, religiosa e militar. Tratava-se da formação de guerreiros e cavaleiros cuja aprendizagem era duríssima. Cavaleiros cristãos, estudiosos da Bíblia, e cuja leitura de cabeceira era o livro dos Salmos. Na cidade, as escolas tinham outros objetivos. Elas ensinavam às crianças a leitura e o cálculo.

LP: Tudo isto em uma perspectiva mercantil e econômica ?
JLG: Exatamente, mas não apenas isso. O cuidado com a boa administração estava igualmente presente. O mercador medieval é um homem que lê, escreve, calcula, mas também um homem que viaja e se informa. Foi assim que as cidades se tornaram o berço da alfabetização e da instrução. E, veja você, isto escapou, durante muito tempo, aos homens do passado que enxergaram a Idade Média como um período de obscurantismo. Certamente não se pôde realizar tudo, mas foram desencadeados processos essenciais e irreversíveis em direção à Democracia e à instrução generalista, que está na base da vida moderna. Creio que a alfabetização, lançada pelas cidades da Idade Média, foi uma das principais componentes do sucesso e hegemonia do Ocidente, a partir dos séculos XV e XVI. As Américas e a África não se desenvolveram. Entre a Índia e o Mediterrâneo, o Islam, que já havia construído uma grande civilização – sob vários aspectos, 'progressista' –, simplesmente adormeceu. No Extremo Oriente, a China, o Estado mais populoso e poderoso do século XV, não buscou soluções e fechou-se em si mesma.

Cerco a uma cidade. 
                               (Iluminura extraída das Crônicas de Froissard. Imagem: Le Point)

LP: O grande entusiasmo pela escola tem a ver com o nascimento da universidade ?
JLG: A cidade, sem dúvida, provocou a metamorfose das escolas monásticas e episcopais, nas quais se ministrava, em latim, o ensino superior. A partir do século XII vão surgir as primeiras universidades. Elas serão pouco numerosas até o século XV, quando se multiplicam por todo o Ocidente, de Roskilde (Dinamarca) a Coimbra (Portugal), da Cracóvia (Polônia) ou de Praga (República Tcheca) a Saint Andrew (Escócia), passando por Oxford, Paris e Bolonha – a mais antiga universidade, fundada na metade do século XII – e muitas outras. Esta rede intelectual é muito importante. Constitui uma antecipação da Europa unida.

LP: O uso do latim como língua comum dos intelectuais favoreceu frutíferos intercâmbios, não ?
JLG: Não devemos exagerar esse aspecto. Este latim, muito afastado do latim clássico, é uma língua particular, caracterizadamente escolar e intelectual, um caso muito parecido com o do atual dialeto pidgin, anglo-americano, que hoje se impõe no mundo dos negócios, da economia e da política. O rigor dos estatutos universitários, no sentido de reprimir entre os estudantes o uso das línguas vulgares, demonstra bem que, na verdade, a população estudantil pensava, agia e se relacionava, não através do latim, mas das línguas vulgares. E isto contribuiu para promovê-las à dignidade de línguas literárias. Também as posturas urbanas são, neste sentido, um bom exemplo, posto que, em geral, eram redigidas em duas ou três línguas: a latina, a francesa e a regional.

LP: Uma das características da cidade medieval é o modo como é cercada: muralhas interrompidas por torreões e portões fortificados.
JLG: Essas cidades, ao contrário daquelas da Antiguidade romana, não tinham um papel agressivo. Mas era necessário proteger seus habitantes, suas igrejas, suas casas seus entrepostos e os instrumentos de trabalho. Essa gente não era composta de guerreiros, mas de clérigos – padres, monges, religiosas em grande número –, burgueses – comerciantes ricos, proprietários de belas casas e opulentos celeiros –, artesãos – com seus preciosos instrumentos de trabalho – e ainda uma boa quantidade de povo comum. A muralha assegurava a proteção. Mas como toda construção monumental, a muralha tinha também uma função simbólica. Através de seus muros, ameias e torres, pelos campanários das igrejas e observatórios móveis de vigília – como em San Gimignano e Bolonha, na Itália, ou Toulouse, na França –, enfim, pelas torrinhas privadas dos burgueses ricos, através de tudo isso a cidade medieval impunha uma imagem de poder e de riqueza. A muralha era um signo de poder. Neste sentido, não é surpreendente que a monarquia residente em Paris, no momento em que esta cidade se torna capital da França e sua jurisdição se estende por todo o reino, tenha edificado a grande muralha parisiense, que receberá o nome do rei: Philippe Auguste.
          Por outro lado, esses muros delimitam um espaço geográfico e, na medida em que a população cresce, faz-se necessário construí-los continuamente. Este fenômeno impressionou deveras o escritor Dante Alighieri, que opunha, à Florença antiga – onde por trás de uma muralha contida reinava a moralidade –, a Florença nova – cujo espaço ampliado tornara propício o deboche e a riqueza corruptora.
Nantes: detalhe de sua muralha. (Imagem: Le Point)

LP: Mas muralhas custam caro...
JLG: O impacto econômico era considerável. Mais do que os palácios, igrejas e catedrais, as fortificações necessitavam de volumes imensos de material, sobretudo pedras, que era preciso transportar de distâncias mais ou menos longínquas. E ainda, era freqüente que fossem construídas nas piores condições e nos piores momentos, como durante a Guerra dos Cem Anos, quando foi preciso reerguer um baluarte, reconstruir uma torre, edificar novas muralhas, tudo isto para proteger um burgo que acabara de ser agregado à cidade. Nessas situações, havia ainda menos dinheiro e menos recursos, pois o movimento das tropas, as depredações e pilhagens de bandos de aventureiros, vagabundos e outras turbas, arruinavam o comércio, o artesanato e o patrimônio dos camponeses. Assim, a manutenção dessas muralhas foi um elemento importante da crise que se instalou nos séculos XIV e XV.
          É o canhão, com suas balas de ferro, que decretará o fim das muralhas e das torres, porém, não muito rapidamente. Todavia, não conseguirá acabar com as fortalezas.

LP: O burgo e a periferia [banlieu] são 'invenções' da Idade Média ? Como se pode defini-los ?
JLG: O burgo, infelizmente, é bem difícil de definir porque a palavra é empregada em diferentes sentidos conforme variem as regiões e as línguas. O termo fica espremido entre duas significações principais. Uma é a fortificação, o castelo, o burgo germânico. A outra, da qual derivará mais ou menos o nosso faubourg(2) descreve um espaço geográfico, um lugar onde regras particulares permitem o desenvolvimento de certo comércio. Este sentido da palavra 'burgo' está, num primeiro momento, muito próximo da noção de cidade, tal qual existiam nos séculos XI e XII, muitas vezes governadas por um conde ou por um bispo. O burgo nasceu na mesma época, criado – digamos –, pela vontade de um senhor que adota um 'novo estilo' de governar – uma espécie de outsider do feudalismo –, desejoso de atrair para um determinado lugar uma população 'renovada' – formada por artesãos e comerciantes –, mas que atendesse a seus próprios interesses. Para isto era necessário seduzir e, portanto, conceder algumas vantagens, aceitar seus 'costumes' e suas 'liberdades'. Daí em diante, o conceito subjacente a certos privilégios foi associado aos burgos e seus habitantes, os burgueses. Mas ao longo do tempo esta situação vai se transformar. A maioria das cidades vai abrir suas muralhas, expandi-las ou prolonga-las para incorporar o burgo. De imediato, e com certa rapidez, o poder vai ser obrigado a evoluir e dividir-se entre a cidade e o burgo. Os senhores de cada cidade – alguns condes e uma maioria de bispos –, freqüentemente, irão confirmar as liberdades da comunidade urbana e até acrescentar-lhe algumas novas.
Os efeitos de um bom governo sobre a cidade.
                                   (Afresco de Ambrogio Lorenzetti, 1337-40. Imagem: Le Point)

           Já a periferia [banlieu](3) é algo de outra natureza. De fato, a cidade da Idade Média é senhorial e, neste sentido, dispõe de um poder de comando: o chamado ban(4). Este ban é inicialmente uma noção militar. Os homens de um senhor feudal eram divididos em ban e arièrre ban ou, em outras palavras, divididos em 'mobilizáveis' imediatamente e 'reservistas', à semelhança de nosso defunto regime de recrutamento em época de guerra. Entretanto, a cidade exerce este poder de comando, este ban –ou senhorio – sobre as populações do campo, apenas até certa distância das muralhas, grosseiramente, até uma légua [em francês, lieu] – que corresponde a 4 km –, daí o termo banlieu (ban + lieu). Porém, entre os recursos que a cidade retira do campo situado à sua volta, estão impostos cobrados antecipadamente, referentes a algumas rendas anuais. Por isto, a periferia [banlieu] é também um espaço jurídico e fiscal.

LP: Em seus trabalhos, o Sr. utiliza duas categorias sociais irônicas os gros – ou gras (5) – e os menus. O que são elas ?
JLG: Trata-se de uma distinção que se tornou muito comum nas cidades da Idade Média, sobretudo na Itália. No século XIII, a evolução da sociedade urbana conduziu-a a um amálgama entre burgueses e não burgueses, amálgama este que nos acostumamos a chamar de 'povo' – do latim, populus. Este conceito se estruturou em dois sub-conjuntos: os gros – que na Itália serão chamados de popolo grasso, ou grosso [no Brasil, os 'graúdos']– e os menus, isto é, os pequenos – populo minuto [no Brasil, o 'Zé Povinho']. Uma boa parte dos conflitos ocorridos nas cidades, nos séculos XIII e XIV, foi decorrente de uma oposição entre os gros e os menus.

LP: Entendi que uma das distinções entre os dois grupos era o pagamento maior ou menor de impostos. Isto está correto ?
JLG: Sim. Os 'graúdos', que dominavam os governos das cidades, aproveitavam esta circunstância para oferecer formidáveis isenções fiscais a si próprios. E este é um dos principais motivos de conflito entre os dois grupos. Os 'miúdos' queriam obrigar os 'graúdos' a cobrar impostos também de si mesmos, isto é, obrigá-los a se auto-taxarem. É isto que os leva a afirmar, perante São Luiz, que as cidades eram grandes centros de injustiça, pois os mais ricos pagavam menos impostos que os mais pobres, um fenômeno recorrente.

LP: Paris foi a maior cidade do Ocidente. Porque esse sucesso ?
 A MAIOR CIDADE MEDIEVAL- PARIS   (Imagem Le Point)

JLG: O que podemos dizer, de imediato, é que o sucesso urbano encarnou perfeita e plenamente em Paris. Foi na Idade Média que a cidade adquiriu essa importância que a acompanhou por tanto tempo, e que ainda faz parte de sua imagem mítica. Paris era, verdadeiramente, o centro do mundo. Os reis de França fizeram de Paris sua capital, de um modo muito mais nítido do que o fizeram os reis da Inglaterra com Londres, ou com Valladolid os reis de Castela e demais estados hispânicos.
          Houve ali uma nítida vontade política da monarquia francesa. Por outro lado, a prosperidade econômica da cidade foi excepcional. É verdade que Paris estava situada numa região favorável e rica, dispondo de boas estradas e de vias fluviais orientadas para variados pólos econômicos – Champagne, Bourgogne, Flandre. Mas seu sucesso tem a ver também com outros dois fatores: de um lado, o dinamismo espontâneo dos parisienses; de outro – sem querer desagradar os anti-estatistas –, a estrita regulamentação das corporações, planejada e realizada por São Luiz. Etienne Boileau, o magistrado por ele nomeado, publicou em 1260 o Livre des 101 Métiers [Livro dos 101 Ofícios], que regulamentava a atividade de cada uma das profissões, organizando assim a prosperidade de todos. E tudo isto se confirma pelo extraordinário impulso demográfico que Paris então apresentou. As maiores cidades da Idade Média, no pogeu do século XIII, eram as flamengas Bruges e Gand e as italianas Milão, Florença, Gênova e Veneza, todas com uma população em torno de 100.000 habitantes. À mesma época, Paris já tinha 200.000, um salto quantitativo impressionante.

LP: E este salto quantitativo, à época, foi ainda maior no que diz respeito a outras cidades que hoje são francesas, não ? Rouen, a maior delas depois de Paris, devia ter ao redor de 50.000 habitantes...
JLG: Um pouco menos: 30.000 ou 40.000 habitantes. Sua importância se devia, por um lado à Inglaterra e, por outro, a Paris da qual ela era a porta de entrada.

LP: Que papel desempenhava a praça pública na sociedade medieval ?
JLG: Foi o russo Mikhail Bakhtine quem estudou muito bem esse espaço de sociabilidade, que assistiu ao renascimento do Teatro. Este último, próspero na Antiguidade, havia sido condenado pela Igreja, que o considerava um prazer diabólico. Seu primeiro balbuciar expressivo é a Fête des Fous [Festa dos Loucos]. Mais adiante, em meados do século XIII, o Teatro explode nas praças públicas sobre os cavaletes e tablados dos saltimbancos. Esta renovação atingirá o apogeu por volta de 1278 / 1280 em Arras, uma das cidades européias mais intelectualmente ativas, com a peça Jeu de la Feuillée [Jogo Febril], de Adam de la Halle. Creio, porém, que Bakhtine exagera um pouco quando afirma que a praça pública é o berço do espírito irônico – que alcança o apogeu com Rabelais –, e quando contrapõe a praça pública, lugar de riso ["espace du rire"], ao mosteiro, lugar de prantos ["espace de pleurs"].
LP: A arte possuía um espaço próprio na cidade medieval ?
JLG: Provavelmente sim – e fico feliz em saber que meu amigo Umberto Eco compartilha comigo esta opinião. As cidades desempenharam um papel importante no desenvolvimento de um espírito estético. O belo não era um valor bem definido no começo da Idade Média. Confundia-se mais ou menos com o útil. Mas o belo se desenvolve e torna-se uma qualidade a partir do século XIII, ou início do século XIV, o que podemos constatar em dois domínios: o primeiro, no começo do Trezento, é o domínio do retrato, que ressalta e valoriza a individualidade dos sujeitos – através da semelhança, o que nos possibilita reconhecê-los –, mas também sublinha a beleza de certas pessoas, sobretudo as mulheres. O segundo domínio é o da imagem da cidade. A população da Idade Média, cem por cento anti-ecológica, considerava o campo hediondo, as montanhas aterrorizantes e o mar odioso. Só a cidade era bela. E isso, não só porque ela proporcionava segurança, mas também por razões estéticas. Esta é uma das últimas 'funções' – digamos assim – exercidas pelas muralhas, pelos torreões e pelos portões. Eles são belos porque nós os consideramos belos. Um dos melhores exemplos disto nos é fornecido na Itália do Norte e Central – uma das regiões mais urbanizada do século XIV –, pelo grande pintor de Sienna, Ambrogio Lorenzetti, em duas obras que tornam magnífica a beleza da cidade. A primeira, gigantesca, é composta por dois afrescos que decoram as paredes do Palácio público de Sienna, em frente à Gran-Place, a Coquilla. Representam 'o bom e o mau governo', e se tornam um canto de amor à cidade, ao estabelecer a oposição entre esta e o campo. A segunda obra, de Lorenzetti, é uma miniatura, no acervo da pinacoteca de Sienna, representando a cidade ideal, uma Manhattan medieval que ergue suas muralhas, torres e portões à beira-mar.

Le Goff: papa de la Moyen Age.Imagem: http://www.knaw.nl/
NOTAS DE TRADUÇÃO:
1. Hommage: homenagem, preito de fidelidade e servidão prestado pelo vassalo ao seu senhor.

2. Faubourg: denominação atribuída em certas cidades – sobretudo em Paris – a algumas localidades conurbadas à cidade mas que conservaram sua autonomia e denominações originais; parte de uma cidade situada fora de seu limites administrativos.

3. Banlieu: subúrbio, arrabalde, periferia, território limítrofe a uma comuna.

4. Ban: a tradução literal deste termo seria 'aplauso'.

5. Gros, gras: a tradução literal desses termos seria, respectivamente, 'gordo' e 'gorduroso'.


A CIDADE MEDIEVAL

                                                             As Cidades medievais

          "As cidades medievais eram superlotadas, barulhentas, escuras e tinham cheiro de estábulo. Só as ruas mais largas eram pavimentadas; as outras eram sujas, com esterco e lama. Na maioria are apenas vielas estreitas onde não se podia passar com duas mulas sem derrubar os quiosques dos vendeiros ou os toldos e tabuletas dos que anunciavam seus serviços.

           De dia, as ruas ficavam apinhadas de gente: ferreiros, sapateiros, vendedores de tecido, açougueiros, dentistas... Bastava o comerciante abrir as venezianas de sua casa para transformá-la numa banca de mercadoria. Ficavam também cheias de animais: cães, mulas, porcos, cavalos, galinhas... À noite, eram silenciosas e muito escuras: não havia iluminação pública. Era comum toque de recolher decretado pelas municipalidades, como prevenção contra assaltos e assassinatos.

           Nas cidades medievais ocorriam castrações, enforcamentos e amputações, e a população aglomerava para assistir aos espetáculos de castigo. Muitas vezes os criminosos eram arrastados pelas ruas numa carroça e torturados antes da execução pública, sob o burburinho e os gritos das multidões.

          Eram freqüentes, também, os incêndios. As casa, de três ou quatro andares, eram construídas de materiais inflamáveis: paredes de madeira e galhos e tetos de palha ou junco, que ardiam em poucos minutos. Se por um lado os incêndios geravam prejuízos para os moradores, por outro era benéfico, pois amenizava as condições de sujeira que provocavam as doenças.

          Apesar de existirem hábitos de higiene pessoal, como o costume de freqüentar os banhos públicos, preservados desde a época de Roma, só os ricos tinham as suas próprias latrinas e fossas. A maioria da população jogava seus excrementos em esgotos ou em pilhas de detritos a céu aberto, tornando as vielas imundas, o mau cheiro insuportável e as águas de abastecimento da cidade poluídas.

          A canalização da água não era recomendada pelas oficialidades, que temiam a desvantagem de tornar as cidades vulneráveis a sabotagens de exécitos inimigos. Só em 1236, Londres começou a trazer água para a cidade em aquedutos.

          Uma das soluções adotadas para reduzir a sujeira foi a pavimentação das ruas. Paris, em 1185, foi a primeira cidade a ter suas ruas calçadas com pedras.

          Mais ainda do que os excrementos humanos e a água suja, a maior maldição das cidades medievais era a pulga, o parasita do rato negro. As epidemias eram freqüentes e, de 1348 a 1349, as pulgas espalharam a peste bubônica, conhecida como a peste negra, provocando milhões de mortes."

(Clark, Peter. O Ocidente renasce. In: Evolução das cidades. Rio de Janeiro, Abril Livros/ Editora de Time-Life, 1993, p.98-102 (texto adaptado))

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

REVOLUÇÃO FRANCESA - ESQUEMA REVISIONAL

Revolução Francesa – Século XVIII (1789)                         
Sua Significação:

          =====>  Destruição do Absolutismo e do Feudalismo na França.
          =====> Construção de uma Nova Ordem Política, Econômica e Social, baseada no Capitalismo e 
                         no Poder da Burguesia.

                                   Antecedentes da França Revolucionária (Antigo Regime)

                                                      • Sistema Político = Absolutismo Monárquico
                                                      • Sistema Econômico = Feudalismo + Mercantilismo
                                                      • Sociedade = Estamental + Nobiliarquia

                                                           Causas da Revolução Francesa

• Contradições entre as atividades Capitalistas em crescimento e a permanência de relações Feudais de produção, que impedia uma maior expansão da economia e desenvolvimento da Burguesia.

• Excessiva intervenção do Estado em assuntos de ordem econômica, com práticas mercantilistas restritivas, impedindo o avanço do liberalismo econômico.

• Aumento da divida pública do país, agravado por extravagantes gastos reais e por guerras constantes e desastrosas, como a Guerra dos Sete Anos (1756-63) e a Guerra de Independência das Treze Colônias, ambas contra a Inglaterra.

• Excessiva cobrança de impostos sobre o Terceiro Estado: às vésperas da Revolução os camponeses pagavam cerca de 80% de suas rendas em impostos.

• Contato com Ideais Revolucionários, seja pela Revolução Americana de 1776, seja pelo próprio florescimento de ideais do Iluminismo.

• Profunda insatisfação das massas populares por causa da miséria: em 1788-1789 os trabalhadores urbanos utilizavam 88% de seus salários apenas para adquirir o pão, alimento básico na França.

ANALISE O FRAGMENTO DE TEXTO E CARACTERIZE  A SITUAÇÃO DA POPULAÇÃO NO PERÍODO DA REVOLUÇÃO
Cerca de oito meses antes do início do processo revolucionário, o historiador Jacques Sole identificou a situação geral da população mais pobre da França:
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“Mal nutrida, empobrecida, descontente com os direitos e impostos que tinha de pagar, a população francesa achava-se em estado de sublevação constante. Pensava, sobretudo, como de hábito, em controlar a circulação dos cereais e fixar o preço do pão. Motins em panificações e celeiros estouravam por todo o país, antes de aparecerem em Paris.”
___________________________________________________________________________________
AÇÕES PARA OS PROBLEMAS ECONÔMICOS  

           Com a situação social e econômica insustentável e sem recursos para continuar funcionando, o   Estado Francês, através de Luís XVI, toma medidas para conter o rombo econômico. Turgot, Necker e Calonne, ministros das Finanças de Luís XVI, aconselhavam duas medidas para resolver o problema:

                                         o Aumento da cobrança de Impostos.


                                         o Retirada de parte dos privilégios do Clero e da Nobreza, que, a partir de
                                            então, também deveriam ajudar a financiar o Estado e arcar com parte da
                                            carga tributária.

           ========>     Tais medidas criaram um impasse:

=====>   De um lado, o Clero e a Nobreza não tinham qualquer disposição de abrir mão dos seus privilégios, mesmo que o tesouro real não dispusesse de recursos e já tivesse praticamente esgotado todas as opções de obtê-los.

=====>  Por outro, os diferentes setores da burguesia, os trabalhadores urbanos e camponeses que compunham o Terceiro Estado, não pretendiam arcar com mais tributos sem que a estrutura do Estado Francês fosse alterada, garantindo-lhes os meios institucionais para a efetiva participação nas decisões políticas.


Diante dessas dificuldades que inviabilizavam qualquer solução tomada pela corte, Luís XVI, após muita hesitação:
  • convocou os Estados Gerais em julho de 1788 –  uma assembléia que reunia representantes dos três Estados, cuja última reunião ocorrera em 1614.
Seu objetivo era discutir a situação da economia nacional e selar um amplo acordo que resolvesse os problemas financeiros e as crises da França.

A REVOLUÇÃO E SUAS FASES

FASE 1:    Os Estados Gerais (1789)
+++++>• Eleição dos deputados representantes de cada Estado entre julho de 1788 até maio de 1789.
+++++>• Clero e Nobreza lutam pela manutenção de seus privilégios e contra as propostas
                 transformadoras da Burguesia.
+++++>• O Terceiro Estado reivindica mudanças na estrutura política e econômica do Antigo Regime, na
                 tentativa de adquirir direitos políticos e transformações nas estruturas econômicas.

Reunião dos Estados Gerais em 5 de maio de 1789.

                     • Tensa disputa política entre nobreza, clero e burguesia.
                     • Impasse sobre deliberações:

  •  Voto por Estado – como era comum na Assembléia dos Estados Gerais, as decisões seriam tomadas por Estado, tendo cada um apenas um voto. Dessa forma, o Terceiro Estado sempre seria voto vencido, uma que o Clero e a Nobreza tentariam proteger seus privilégios, todas as decisões teriam o mesmo resultado: 2 votos (Clero e Nobreza) contra 1 (Terceiro Estado).
  • Voto por cabeça – Os burgueses reivindicavam que a bancada do Terceiro Estado tivesse o maior número de membros, já que quase a totalidade da população francesa pertencia àquele estamento social. Certo de que os votos se dariam por Estado e não por meio de votos individuais dos representantes, Luis XVI cedeu às pressões da burguesia e permitiu que fossem eleitos 610 deputados para compor a bancada do Terceiro Estado.

• Única forma do Terceiro Estado alcançar a vitória nas votações das propostas de seus interesses seria alterar a forma de votação, que deveria ser tomada por cabeça e não por estamento social.

• Todavia, o Primeiro Estado (Clero) e SegundoEstado (Nobreza), não aceitavam de forma alguma a mudança no velho modelo de votação.

• O impasse leva o Terceiro Estado a recusar a votação dos Estados Gerais e a se proclamarem em Assembléia Nacional.

ATENÇÃO! Leia o texto de Sieyès, político e eclesiasta francês à época da revolução, e veja como o mesmo fundamenta o deslocamento da soberania do Rei para o povo:

Que é o Terceiro Estado?

“Que é o Terceiro Estado? Tudo. Que tem sido até agora na ordem política? Nada. Que deseja? Vir a ser alguma coisa… O Terceiro Estado forma em todos os setores os dezenove/vinte avos, com a diferença de que ele é encarregado de tudo o que existe de verdadeiramente penoso, de todos os trabalhos que a ordem privilegiada se recusa a cumprir. Os lugares lucrativos e honoríficos são ocupados pelos membros da ordem privilegiada… Quem, portanto, ousaria dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é necessário para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros… Uma espécie de confraternidade faz com que os nobres dêem preferência a si mesmos para tudo, em relação ao resto da nação. A usurpação é completa, eles verdadeiramente reinam… É a Corte que tem reinado e não o monarca. É a Corte que faz e desfaz, convoca e demite os ministros, cria e distribui lugares, etc. Também o povo acostumou-se a separar nos seus murmúrios o monarca dos impulsionadores do poder. Ele sempre encarou o rei como um homem tão enganado e de tal maneira indefeso em meio a uma Corte ativa e todo-poderosa, que jamais pensou em culpá-lo de todo o mal que se faz em seu nome.” (SIEYÈS. Que é o Terceiro Estado? 1789)

FASE 2:    Monarquia Constitucional (1789-1792)

 Formação da Assembléia Nacional Constituinte em 9 de julho (1789-1791)

====> Caracterizada pela conciliação entre os interesses da alta burguesia e da nobreza progressista (togada).

OBJETIVOS :

                         o Limitar o poder monárquico.
                         o Excluir as massas populares da participação política. (O voto censitário)
                         o Instalar um Estado segundo os princípios do liberalismo. (liberdade econômica e defesa
                            da propriedade privada)

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS

                      o Tentativa de Reação da Nobreza e da Corte contra a Assembléia Nacional.
                      o Levante em Paris e tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789.
                      o O “Grande Medo” – camponeses invadem castelos da nobreza feudal e executam famílias
                          inteiras.

====>   Principais medidas da Assembléia Nacional Constituinte

              o Abolição dos direitos feudais, mas com indenização dos senhores.
              o Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789).
              o Promulgação da Constituição de 1791, onde a França passava a ser uma Monarquia
                 Constitucional.

=====>  Principais Problemas

                    o Agravamento da Crise Econômica.
                    o Possibilidade de uma contra-revolução aristocrática interna e ameaça estrangeira (estimulada
                       pelo próprio rei e pela nobreza emigrada).
                    o Insatisfação como o critério censitário da Constituição, que dividiria os cidadãos em ativos
                      (com renda e, portanto, com direitos políticos) e passivos (sem renda e, portanto, sem 
                       direitos políticos).

                                                                  IMPORTANTE!

• Este é um dos momentos decisivos da revolução, pois se realiza a mudança de soberania, que deixa de se identificar com a pessoa do rei e passa a residir na representação da nação, no povo.

• Importante também é a abolição dos direitos feudais e o fortalecimento de uma ordem burguesa e capitalista de produção, onde as diferenças sociais passam a ser justificadas pela propriedade, não mais pelo nascimento.

• Essa parte da revolução é essencialmente: individualista, liberal e antinobiliária (contra a nobreza).

FASE 3:             Convenção Nacional – República (1792-1795)

                                        Aumento das Crises (Os Fatos)

====> Possibilidade de Contra-Revolução (interna e externa)
  • Nobreza Emigrada + Luis XVI = tentativa de restaurar o Absolutismo e esmagar a Revolução.
  • Rei tenta fugir (junho/1791), com a família real, disfarçados de camponeses. São presos em Varennes pela Assembléia Nacional, mas recebem o perdão.
  • França declara guerra à Áustria e à Prússia (recusa de garantias de soberania ao estado revolucionário francês).
  • Luis XVI e Maria Antonieta passam a fornecer para os espiões inimigos todas as informações estratégicas sobre os exércitos franceses
  • Ocorre duras derrotas da Guarda Nacional devido à sabotagem dos generais (defensores da antiga ordem)
  • Ultimato do General prussiano Brunswick, que exigia o fim da resistência revolucionária e a garantia da integridade física da família real.
ISSO CULMINA COM:
                        • 9 de agosto de 1792 – Guarda Nacional + levante popular = invasão do palácio de
                          Tulherias e prisão da família real.

        CONSEQUÊNCIAS:
======> Apartir de 22 de setembro de 1792

  • Abolição da Monarquia Constitucional
  • Proclamação da República
  • A Assembléia Nacional passa a se chamar Convenção
  • A Convenção passa a ser eleita por voto universal masculino (todos os homens podem votar independente de sua renda)
=====>  Apartir de 21 de janeiro de 1793
  • Família Real Francesa é guilhotinada
TENSÕES DOS GRUPOS POLÍTICOS NA CONVENÇÃO (lembrem-se que esses grupos políticos também identificam grupos sociais)

======>  Dois Grupos disputavam entre si o controle da nova República Francesa:

GIRONDINOS

                     ----> Grupo mais moderado
                     ----> Representantes de setores DA NOBREZA e da  BURGUESIA mais enriquecidos
                     ----> Defensores da Monarquia Constitucional
                     ----> Contra a Execução de Luis XVI
                     ----> A favor do voto censitário (baseado na renda)
              
JACOBINOS(MONTANHESES)
                                ----> Grupo mais Radical
                                ----> Representantes da pequena burguesia e dos sans-cullotes (trabalhadores
                                        da cidade e grupos marginalizados)
                                ----> Defensores da República Democrática (com direitos ampliados)
                                ----> A favor da Execução de Luis XVI sem julgamento
                                ----> Contra o voto censitário, a favor do voto universal masculin
 República Girondina (setembro de 1792-junho de 1793) = ´período onde os Girondinos governam

Características:

          • Incapazes de suprir as necessidades do país
          • Inseguros na condução da Guerra com as forças reacionárias absolutistas
          • Incapazes de conter a especulação financeira e os altos preços dos alimentos
          • São derrubados pelos Jacobinos e os sans-cullotes

República Jacobina (2 de junho de 1793-27 de julho de 1794)= período governado pelos Jacobinos
Características:

  • Aprofunda e radicaliza o processo revolucionário
  • Criação do Tribunal Revolucionário (Comitê de Salvação Pública)
  • Instauração de uma Nova Constituição (1793), que estabelece:  
        ====> Abolição da Escravidão nas colônias
        ====> Obrigatoriedade do ensino público e gratuito
        ====> A Lei do Máximo (tabelando os preços dos salários e alimentos)
        ====> Confisco os bens da nobreza emigrada (Reforma Agrária)
        ====> Fim das indenizações dos camponeses aos antigos senhores
        ====> Organização de um Exército Revolucionário Popular (que liquida a ameaça
                    estrangeira)
        ====> Voto Universal Masculino

PERÍODO DO TERROR  – Medidas revolucionárias jacobinas são sustentadas através da execução em massa dos contra-revolucionários, entre eles:

                                           o Girondinos contra-revolucionários
                                               o Nobreza emigrada e defensores do Antigo Regime
                                                  o Açambarcadores (aproveitadores e especuladores)

Tais ações foram conduzidas em grande parte por Maximilien Robespierre, líder dos jacobinos na Convenção e Chefe do Comitê de Salvação Pública.

COMO TERMINA ESSA FASE DE GOVERNO JACOBINO:
=======>   27 de julho de 1794 (9 de Termidor) – Reação Termidoriana = alta burguesia, amedrontada com a crescente radicalização do processo revolucionário e com os excessos do terror, põe fim à experiência democrático-igualitária dos Jacobinos. Robespierre e seus partidários são executados.

ATENÇÃO! Leia abaixo o texto do filósofo Slavoj Zizek e sua leitura do período do terror da Revolução Francesa (República Jacobina):

                                 Virtude e Terror                                      

“Alguns tentam retirar da Revolução Francesa o seu caráter fundador da democracia moderna, tratando-a como uma anomalia (um evento absurdo) da história: houve uma necessidade histórica de afirmar os princípios modernos da liberdade pessoal, mas, como prova o exemplo inglês (a Revolução Gloriosa), isso talvez pudesse ser conseguido de modo muito mais efetivo por uma forma mais pacífica. Entretanto, para os radicais, se você diz A – igualdade, liberdades e direitos humanos –, não devemos fugir de suas conseqüências, mas é preciso reunir coragem para dizer B – o terror realmente precisou defender e afirmar A.” (Slavoj Zikek. Robespierre: virtude e terror. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2008.)

                                                  IMPORTANTE!

A República Jacobina é a fase da ampliação de direitos e a mais democrática da revolução, entretanto tal fase teve que ser sustentada pelo uso do Terror.

A reação termidoriana representa o momento de contenção da fase radical da revolução os Girondinos retomam o poder e instauram o Diretório.

ANALISE  O SEGUINTE ESQUEMA

REVOLUÇÃO INGLESA - ESQUEMA REVISIONAL ( 2º Ano)

Para voce ter uma melhor compreensão dos elementos e fatos que compõem a Revolução Inglesa, voce deverá organizar em seu caderno com base em nosso livro texto ( as paginas já foram apontadas em aula) um esquema de termos(vocabulário conceitual) dos elementos apresentados nesses esquemas abaixo.
No livro texto Dar atenção especial para:
a) A situação das religiões e os grupos sociais ligados a elas.
b) a divisão social com os grupos que os compõem.
d) os agrupamentos políticos que se organizam e seus interesses.

ESQUEMA 1 -      RESUMO ESQUEMÁTICO DA REVOLUÇÃO INGLESA

Observe que esse esquema confere com  o trabalho apresentado por voces em aula. Lembrem-se de identificar  em seu caderno item por item.

ESQUEMA 2         PROCESSO DE ORIGEM DAS DINASTIAS INGLESAS

                                      ORGANIZE ESSE PROCESSO EM SEU CADERNO

ESQUEMA 3                                          A DINASTIA TUDOR


ORGANIZE EM SEU CADERNO O PAPEL DE CADA UM DESSES GOVERNANTES DA FAMÍLIA TUDOR

ESQUEMA 4                                      A DINASTIA STUART


ORGANIZE EM SEU CADERNO O PAPEL DE CADA UM DESSES GOVERNANTES DA FAMÍLIA STUART

ESQUEMA 5                                       OLIVER CROMWELL
                                                                   

ORGANIZE  SOBRE O PERÍODO DE GOVERNO DE OLIVER CROMWELL E DÊ DESTAQUE AO ATOS DE NAVEGAÇÃO.

REVOLUÇÃO CUBANA + IMPERIALISMO DOS EUA NA AMÉRICA LATINA

REVOLUÇÃO CUBANA (com revisão do imperialismo norte americanista)
                    (Material para o 3 ano do Ensino Médio)

                 Nunca podré morirme, mi corazón no lo tengo aqui,
                 Allí me está esperando, me está aguardando que vuelva allí.
                 Cuando salí de Cuba, dejé mi vida, dejé mi amor,
                 Cuando salí de Cuba, dejé enterrado mi corazón.

          Primeira estrofe de “Cuando salí de Cuba”, magistral obra do compositor e cantor argentino Luis Maria Aguilera, conhecido como Luís Aguilé. Esta emocionante canção logo se tornou um hino nacional de fato para todos os exilados cubanos...

          Isso faz desse movimento uma contradição onde existem os que aplaudem e os que vaiam. Mas, concordando ou discordando da Revolução, ela foi e será um dos grandes marcos do século XX na luta contra o imperialismo. E a dominação, não só do sistema capitalista, mas contra o domínio e exploração de uma Nação mais poderosa, contra uma Nação menos poderosa.

          Antes da revolução cubana de 1959, com o aval de uma emenda constitucional chamada Emenda Platt, os americanos entravam e saíam da ilha quando bem entendiam, controlavam as empresas produtoras de frutas e cana-de-açúcar e se esbaldavam durante o dia nas praias e à noite nos cassinos. Do jeito que as coisas iam, era de se esperar que Cuba se tornasse o 51º estado norte-americano (o país tem 50 estados mais o distrito de Colúmbia) – caso Fidel e seu exército de guerrilheiros não tivessem tomado o poder em 1º de janeiro de 1959.

================>      VAMOS VER OS PONTOS BÁSICOS !!!

          Antes da revolução, Cuba era um paraíso para os ricos - um centro de diversão em particular para os turistas americanos - mas um pesadelo para trabalhadores e camponeses. Em 1950/54, a renda per capita de Delaware, o estado mais próspero dos Estados Unidos, era de 2279 dólares, enquanto que em Cuba, chegava apenas a 312, quer dizer, 6 dólares por semana.   Inclusive no Mississipi, o estado mais pobre dos Estados Unidos, a renda per capita situava-se em 829 dólares. 54% da população rural de Cuba não tinha nenhum tipo de instalação sanitárias em suas moradias, e doenças como a malária, a tuberculose e a sífilis eram endêmicas.

           A taxa de analfabetismo era de 25%, similar à taxa de desemprego - um para quatro. Havia menos crianças nas escolas, proporcionalmente nos anos 50 do que nos anos 20. No entanto, Havana em 1954 possuía mais cadilacs que qualquer outra cidade do mundo !

           Ao mesmo tempo, a terra encontrava-se concentrada em poucas mãos, em grande latifúndios: 114 latifúndios, menos de 0,1% das propriedades, ocupavam 20,1% do território. 8% do total das propriedades ocupavam 71,1% enquanto que, por outro lado, 39% das unidades agrícolas constituíam-se de pequenas explorações dos camponeses com menos de meio hectare, ocupando apenas 3,3% da terra.

COMO OS EUA PASSOU A CONTROLAR CUBA? ?

          As ilhas de Cuba e de Porto Rico, situadas no Caribe, eram os últimos vestígios do império espanhol no continente americano. Findava o século XIX e a rica e estratégica ilha de Cuba ainda não havia conseguido obter sua independência. A guerra contra o domínio espanhol iniciada por José Martí em 1895 se arrasta até 1898 quando recebe o apoio dos EUA.

          Em 19 de maio de 1898 a esquadra americana, pôs a pique o que restava da força naval espanhola na Baía de Santiago. A fuga do almirante Cervena a nado encerrava com um melancólico epitáfio, o domínio espanhol na região, domínio que se estendera por mais de quatrocentos anos desde a chegada da esquadra de Colombo em 1492. Pouco mais de cem dias após a declaração de guerra, o Presidente McKinley dos EUA ditava a paz com a Espanha, em 30 de julho. Posteriormente, pelo Tratado de Paris, a Espanha renunciava a Cuba, Porto Rico e Filipinas. O velho império espanhol cedia seu lugar ao novo imperialismo


O IMPERIALISMO NORTE AMERICANISTA E A AMÉRICA

           Fundamentalmente essa questão começa com um conjunto de políticas aplicadas no processo histórico de construção e consolidação da Nação norte americana. Vamos rever três peças fundamentais desse processo:
  1)         A chamada Doutrina Monroe foi enunciada pelo presidente estadunidense James Monroe (1817-1825) em sua mensagem ao Congresso em 2 de dezembro de 1823.
O seu pensamento consistia em três pontos:
  • a não criação de novas colônias nas Américas;
  • a não intervenção nos assuntos internos dos países americanos;
  • a não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias.
           A Doutrina reafirmava a posição dos Estados Unidos contra o colonialismo europeu, inspirando-se:

======>   Na política isolacionista de George Washington, segundo a qual "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de Setembro de 1796).
======> E desenvolveu o pensamento de Thomas Jefferson, segundo o qual: "a América tem um Hemisfério para si mesma", o qual tanto poderia significar o continente americano como o seu próprio país, daí  surge o famoso slogan “América para os americanos”, lembrem-se que americanos somos todos nós, mas na prática, esse slogan reafirmava o interesse geopolítico dos EUA.

2)           O Big Stick (grande porrete) foi uma frase de efeito usada para descrever o estilo de diplomacia empregada pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt, como corolário da Doutrina Monroe, a qual especificava que os Estados Unidos da América deveriam assumir o papel de polícia internacional no hemisfério ocidental.
             Roosevelt pegou o termo emprestado de um provérbio africano, "fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete",  implicando que o poder para retaliar estava disponível, caso fosse necessário. Roosevelt utilizou pela primeira vez esse slogan na Feira Estadual de Minnesota, em 2 de Setembro de 1901, doze dias antes que o assassinato do presidente William McKinley o arremessasse subitamente na presidência.

             Assim, somente eles, os EUA, deveriam assumir o papel de polícia no continente Latino-Americano. As intenções desta diplomacia eram proteger os interesses econômicos dos Estados Unidos na América Latina(nem que seja a força).A partir dai os EUA declararam a América Latina seu quintal. Isso levou à;
  • Diplomacia do Dólar(domínio econômico).
  •  Diplomacia das canhoneiras(ameaça de invasão).
   3)          Esse modelão irá vigorar até a crise de 29 sendo substituído oficialmente pela “Política de Boa Vizinhança” que será instaurada logo após a segunda grande guerra mas foi iniciada ainda nos finas da década de 30 do século XX. Levada a cabo pelo presidente Franklin Delano Roosevelt  que:
  • ======>  Era sobrinho do Theodore Roosevelt, foi eleito em 32 assumiu no início de 1933 e foi reeleito por elevada margem de votos em 1936, 1940 e 1944. Foi o presidente que governou por mais tempo os EUA. 
             A "Política de Boa Vizinhança" foi uma verdadeira revolução nas relações dos Estados Unidos com os demais parceiros do continente americano. O empenho público anunciado pela  administração democrata de Roosevelt, que doravante descartaria o uso da força para resolver os possíveis conflitos com os países latino-americanos foi o mais saudável passo dado pelos Estados Unidos no reconhecimento deles como países independentes a serem respeitados, e não humilhados, mas ao mesmo tempo, investe maciçamente em uma política de dominação cultural principalmente na década de 40 do sec XX, e numa política de empréstimos econômicos que irá produzir a aceitação dos regimes militares apoiados e defendidos pela política externa norte americanista nos anos vindouros.

AQUI TEMOS UM EXEMPLO ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA DOUTRINA MONROE E DA DOUTRINA DO BIG STICK SOBRE CUBA
 
           A Emenda Platt, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e assinada pelo Presidente McKinley em Março/1901, conferia aos norte-americanos o direito de intervir na ilha em determinadas circunstâncias além de supervisionar os seus tratados internacionais, a política económica e de assuntos internos. Ainda nos termos desta clausula, Cuba cedia aos Estados Unidos, as bases navais de Baía Honda e Guantánamo.
Resumidamente, os pontos essenciais da Emenda Platt eram os seguintes:
  1. 1º- Cuba não celebrará qualquer tratado ou pacto que tenda a fragilizar a independência da República.
  2. 2º- O governo cubano não poderá contrair dívidas públicas.
  3. 3º- O governo cubano confere aos EUA o Direito de Intervenção para a preservação da independência e manutenção de um governo adequado à protecção da vida, propriedade privada e cumprimento das obrigações impostas pelos EUA a Cuba.
  4. 4º-Todos os actos realizados pelos EUA durante a ocupação serão ratificados e considerados válidos, bem como todos os direitos adquiridos.
  5. 5º- O governo da República de Cuba executará o saneamento da população, com a finalidade de evitar doenças epidémicas e infecciosas, protegendo desta forma o comércio e o povo de Cuba, tal como o comércio e o povo da parte Sul dos EUA.
  6. 6º- A Ilha dos Pinos fica fora dos limites de Cuba propostos pela Constituição, deixando-se para um futuro tratado a fixação da sua presença.
  7. 7º- Para garantir aos EUA condições que lhes permitam assegurar a independência de Cuba e protecção do seu povo, o governo cubano venderá ou arrendará aos EUA as terras necessárias para a extracção de carvão ou estações navais.
              Desta forma, prática e teoricamente, Cuba passou a ser um protectorado dos E.U.A, até 29/Maio/1934, ano em que a Emenda Platt é revogada e substituída por um Tratado de Reciprocidade, pelo qual renunciam ao direito de interferir nos assuntos internos de Cuba, mas vendo confirmados os seus direitos sobre a base de Guantánamo por um período de 99 anos, arrendada por 4.085 dólares/ano. Era então presidente de Cuba Fulgencio Batista e Franklin Delano Roosevelt nos EUA.

           COMO SE DESENVOLVE A DINÂMICA DA REVOLUÇÃO CUBANA
          Quando o ditador Fulgêncio Batista, sem mais condições de manter-se no poder, renunciou durante o reveillon de 1959 e, secretamente, fugiu de Cuba para a República Dominicana, não foi só o seu governo que caiu. Todo o Estado cubano se havia desintegrado e 1959 tornou-se um ano realmente novo. Dias depois, centenas de guerrilheiros barbudos, grande parte de guajiros ---> (trabalhadores do campo), sujos, uniformes rasgados, entraram em Havana, sob o comando de Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Era o clímax de uma epopéia, iniciada por apenas 16 sobreviventes, dos 82 que desembarcaram do iate Granma, no litoral de Cuba, em 2 de dezembro de 1956. Fidel Castro tinha então 25 anos e, durante dois anos, comandou a guerra de guerrilhas, juntamente com seu irmão Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, organizando o Exército Rebelde, que destruiu a ditadura dos sargentos Fulgêncio Batista, respaldada pelos Estados Unidos.
          A revolução cubana foi o fato político mais poderoso e o que maior impacto causou na América Latina, ao longo do século XX, não por causa do seu caráter heróico e romântico ou porque o regime implantado por Fidel Castro evoluiu posteriormente para o comunismo, mas porque ela exprimiu dramaticamente as contradições não resolvidas entre os Estados Unidos e os demais países da região
                        A QUESTÃO DA REVOLUÇÃO COM O COMUNISMO
          Não foram os comunistas que promoveram a revolução cubana, no contexto da na Guerra Fria. Conquanto alguns de seus líderes, como Ernesto Che Guevara e o próprio Fidel Castro, em pequena medida, acolhessem idéias marxistas, eles não pertenciam a nenhum partido comunista e não era inevitável que a revolução cubana se desenvolvesse a tal ponto de identificar-se com a doutrina comunista e instituísse a sua forma de governo. Com razão, o historiador Thomas Skidmore, da Brown University, apontou Cuba como ''um estudo clássico do fenômeno nacionalista'', acrescentando que "o povo podia ver o caráter autoritário do regime", mas  o real apelo do regime de Castro era o nacionalismo. Com efeito, a revolução cubana foi autóctone, teve um caráter nacional e democrático, e a implantação de um regime segundo o modelo dos países do Leste Europeu resultou de uma contingência histórica, não de uma política empreendida pela União Soviética, ma, sim, empreendida pelos Estados Unidos que, sem respeitar os princípios da soberania nacional e autodeterminação dos povos, não aceitaram os atos da revolução, como a reforma agrária, e transformaram contradições de interesses nacionais em um problema do conflito Leste-Oeste.
                                          OS PROCESSOS DA REVOLUÇÃO
           Contra a ditadura de Batista formou-se uma oposição, na qual se destacou o jovem advogado Fidel Castro que, em 26 de julho de 1953, atacou o quartel de Moncada, com um grupo de companheiros. O ataque fracassou e foram todos encarcerados, mas o ditador anistiou os rebeldes em 1955.
          Fidel, impossibilitado de agir devido à rigorosa vigilância policial, procurou exílio no México, onde reorganizou suas forças. No final de 1956, retornou à Cuba no barco Granma, juntamente com aquele que iria ser o seu maior aliado, Ernesto Che Guevara, carregado de armas para iniciar o confronto militar com Batista. Novamente o plano fracassou e Fidel teve que se refugiar com os companheiros em Sierra Maestra, de onde começaram as operações guerrilheiras. Essas operações tornaram-se cada vez mais organizadas e o movimento guerrilheiro cresceu em força e apoio popular enfrentando o poder do ditador. A selvagem repressão desencadeada por Batista aumentou sua impopularidade a tal ponto que, em 1958, os Estados Unidos acabaram suspendendo a venda de armas para o ditador. Em 8 de janeiro de 1959, depois de uma bem-sucedida greve geral, Batista foi derrubado e as tropas de Fidel entraram em Havana.

======> Manuel Urritia Manzano, moderado opositor do regime Batista, ocupou a presidência, e Fidel foi indicado primeiro-ministro. Alguns membros do Movimento 26 de Julho – nome da organização político-guerrilheira chefiada por Fidel – também ocuparam cargos ministeriais.
---------------------------> A RADICALIZAÇÃO

  • O fuzilamento dos inimigos da revolução (o famoso paredón);
  • as reformas urbanas que obrigaram a baixar os preços dos aluguéis;
  • a reforma agrária, de profundidade sem paralelo na América;
          Essas manifestações de radicalismo começaram a inquietar os moderados e, no plano externo, o governo dos Estados Unidos. A resistência do presidente Urritia à radicalização levou Fidel a demitir-se em julho de 1959. Essa atitude suscitou a mais viva manifestação a favor de Fidel e levou, por sua vez, à renúncia de Urritia, que foi substituído por Osvaldo Dorticós Torrado. Fidel voltou a assumir o posto de primeiro-ministro.
           A adesão dos comunistas à revolução, embora tardia, fez com que às audaciosas medidas do novo governo fossem interpretadas como de origem e inspiração comunista, o que não era verdade. De qualquer forma, serviu para encaixar o governo castrista no esquema da guerra fria: se o novo regime não era pró-capitalista, então só podia ser comunista. Essa foi a conclusão dos conservadores e moderados.

          Em 1961, com John Kennedy, os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com Cuba e Kennedy autorizou a invasão militar do país pelos exilados cubanos treinados por militares norte-americanos. No dia 17 de abril de 1961, com apoio aéreo dos Estados Unidos, os contra-revolucionários desembarcaram na praia de Girón, na baía dos Porcos, mas foram derrotados em 72 horas. O episódio esgota a relação diplomáica entre os EUA e Cuba definitivamente. Cuba se aproxima da URSS.

CONCLUSÃO:
          Com a Revolução Cubana O povo foi ao centro da cena histórica e 45 anos depois muitos problemas ainda continuam, mas o fator desigualdade não é crescente, assim como não há a exploração da hegemonia estrangeira de do homem pelo homem.

 O resumo acima foi organizado através das seguintes FONTES DE PESQUISA
[Artigo tirado da 'Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (ADITAL)'

http://www.galizacig.com/actualidade/200401/adital_a_revolucao_cubana_completa_45_anos.htm

http://redalyc.uaemex.mx/pdf/937/93701204.pdf

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/03/414650.shtml

http://super.abril.com.br/cotidiano/se-cuba-houvesse-sido-anexada-pelos-americanos-444593.shtml

http://pt.shvoong.com/humanities/history/488324-emenda-platt/