segunda-feira, 23 de agosto de 2010

REVOLUÇÃO CUBANA + IMPERIALISMO DOS EUA NA AMÉRICA LATINA

REVOLUÇÃO CUBANA (com revisão do imperialismo norte americanista)
                    (Material para o 3 ano do Ensino Médio)

                 Nunca podré morirme, mi corazón no lo tengo aqui,
                 Allí me está esperando, me está aguardando que vuelva allí.
                 Cuando salí de Cuba, dejé mi vida, dejé mi amor,
                 Cuando salí de Cuba, dejé enterrado mi corazón.

          Primeira estrofe de “Cuando salí de Cuba”, magistral obra do compositor e cantor argentino Luis Maria Aguilera, conhecido como Luís Aguilé. Esta emocionante canção logo se tornou um hino nacional de fato para todos os exilados cubanos...

          Isso faz desse movimento uma contradição onde existem os que aplaudem e os que vaiam. Mas, concordando ou discordando da Revolução, ela foi e será um dos grandes marcos do século XX na luta contra o imperialismo. E a dominação, não só do sistema capitalista, mas contra o domínio e exploração de uma Nação mais poderosa, contra uma Nação menos poderosa.

          Antes da revolução cubana de 1959, com o aval de uma emenda constitucional chamada Emenda Platt, os americanos entravam e saíam da ilha quando bem entendiam, controlavam as empresas produtoras de frutas e cana-de-açúcar e se esbaldavam durante o dia nas praias e à noite nos cassinos. Do jeito que as coisas iam, era de se esperar que Cuba se tornasse o 51º estado norte-americano (o país tem 50 estados mais o distrito de Colúmbia) – caso Fidel e seu exército de guerrilheiros não tivessem tomado o poder em 1º de janeiro de 1959.

================>      VAMOS VER OS PONTOS BÁSICOS !!!

          Antes da revolução, Cuba era um paraíso para os ricos - um centro de diversão em particular para os turistas americanos - mas um pesadelo para trabalhadores e camponeses. Em 1950/54, a renda per capita de Delaware, o estado mais próspero dos Estados Unidos, era de 2279 dólares, enquanto que em Cuba, chegava apenas a 312, quer dizer, 6 dólares por semana.   Inclusive no Mississipi, o estado mais pobre dos Estados Unidos, a renda per capita situava-se em 829 dólares. 54% da população rural de Cuba não tinha nenhum tipo de instalação sanitárias em suas moradias, e doenças como a malária, a tuberculose e a sífilis eram endêmicas.

           A taxa de analfabetismo era de 25%, similar à taxa de desemprego - um para quatro. Havia menos crianças nas escolas, proporcionalmente nos anos 50 do que nos anos 20. No entanto, Havana em 1954 possuía mais cadilacs que qualquer outra cidade do mundo !

           Ao mesmo tempo, a terra encontrava-se concentrada em poucas mãos, em grande latifúndios: 114 latifúndios, menos de 0,1% das propriedades, ocupavam 20,1% do território. 8% do total das propriedades ocupavam 71,1% enquanto que, por outro lado, 39% das unidades agrícolas constituíam-se de pequenas explorações dos camponeses com menos de meio hectare, ocupando apenas 3,3% da terra.

COMO OS EUA PASSOU A CONTROLAR CUBA? ?

          As ilhas de Cuba e de Porto Rico, situadas no Caribe, eram os últimos vestígios do império espanhol no continente americano. Findava o século XIX e a rica e estratégica ilha de Cuba ainda não havia conseguido obter sua independência. A guerra contra o domínio espanhol iniciada por José Martí em 1895 se arrasta até 1898 quando recebe o apoio dos EUA.

          Em 19 de maio de 1898 a esquadra americana, pôs a pique o que restava da força naval espanhola na Baía de Santiago. A fuga do almirante Cervena a nado encerrava com um melancólico epitáfio, o domínio espanhol na região, domínio que se estendera por mais de quatrocentos anos desde a chegada da esquadra de Colombo em 1492. Pouco mais de cem dias após a declaração de guerra, o Presidente McKinley dos EUA ditava a paz com a Espanha, em 30 de julho. Posteriormente, pelo Tratado de Paris, a Espanha renunciava a Cuba, Porto Rico e Filipinas. O velho império espanhol cedia seu lugar ao novo imperialismo


O IMPERIALISMO NORTE AMERICANISTA E A AMÉRICA

           Fundamentalmente essa questão começa com um conjunto de políticas aplicadas no processo histórico de construção e consolidação da Nação norte americana. Vamos rever três peças fundamentais desse processo:
  1)         A chamada Doutrina Monroe foi enunciada pelo presidente estadunidense James Monroe (1817-1825) em sua mensagem ao Congresso em 2 de dezembro de 1823.
O seu pensamento consistia em três pontos:
  • a não criação de novas colônias nas Américas;
  • a não intervenção nos assuntos internos dos países americanos;
  • a não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias.
           A Doutrina reafirmava a posição dos Estados Unidos contra o colonialismo europeu, inspirando-se:

======>   Na política isolacionista de George Washington, segundo a qual "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de Setembro de 1796).
======> E desenvolveu o pensamento de Thomas Jefferson, segundo o qual: "a América tem um Hemisfério para si mesma", o qual tanto poderia significar o continente americano como o seu próprio país, daí  surge o famoso slogan “América para os americanos”, lembrem-se que americanos somos todos nós, mas na prática, esse slogan reafirmava o interesse geopolítico dos EUA.

2)           O Big Stick (grande porrete) foi uma frase de efeito usada para descrever o estilo de diplomacia empregada pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt, como corolário da Doutrina Monroe, a qual especificava que os Estados Unidos da América deveriam assumir o papel de polícia internacional no hemisfério ocidental.
             Roosevelt pegou o termo emprestado de um provérbio africano, "fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete",  implicando que o poder para retaliar estava disponível, caso fosse necessário. Roosevelt utilizou pela primeira vez esse slogan na Feira Estadual de Minnesota, em 2 de Setembro de 1901, doze dias antes que o assassinato do presidente William McKinley o arremessasse subitamente na presidência.

             Assim, somente eles, os EUA, deveriam assumir o papel de polícia no continente Latino-Americano. As intenções desta diplomacia eram proteger os interesses econômicos dos Estados Unidos na América Latina(nem que seja a força).A partir dai os EUA declararam a América Latina seu quintal. Isso levou à;
  • Diplomacia do Dólar(domínio econômico).
  •  Diplomacia das canhoneiras(ameaça de invasão).
   3)          Esse modelão irá vigorar até a crise de 29 sendo substituído oficialmente pela “Política de Boa Vizinhança” que será instaurada logo após a segunda grande guerra mas foi iniciada ainda nos finas da década de 30 do século XX. Levada a cabo pelo presidente Franklin Delano Roosevelt  que:
  • ======>  Era sobrinho do Theodore Roosevelt, foi eleito em 32 assumiu no início de 1933 e foi reeleito por elevada margem de votos em 1936, 1940 e 1944. Foi o presidente que governou por mais tempo os EUA. 
             A "Política de Boa Vizinhança" foi uma verdadeira revolução nas relações dos Estados Unidos com os demais parceiros do continente americano. O empenho público anunciado pela  administração democrata de Roosevelt, que doravante descartaria o uso da força para resolver os possíveis conflitos com os países latino-americanos foi o mais saudável passo dado pelos Estados Unidos no reconhecimento deles como países independentes a serem respeitados, e não humilhados, mas ao mesmo tempo, investe maciçamente em uma política de dominação cultural principalmente na década de 40 do sec XX, e numa política de empréstimos econômicos que irá produzir a aceitação dos regimes militares apoiados e defendidos pela política externa norte americanista nos anos vindouros.

AQUI TEMOS UM EXEMPLO ESPECÍFICO DA ATUAÇÃO DA DOUTRINA MONROE E DA DOUTRINA DO BIG STICK SOBRE CUBA
 
           A Emenda Platt, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e assinada pelo Presidente McKinley em Março/1901, conferia aos norte-americanos o direito de intervir na ilha em determinadas circunstâncias além de supervisionar os seus tratados internacionais, a política económica e de assuntos internos. Ainda nos termos desta clausula, Cuba cedia aos Estados Unidos, as bases navais de Baía Honda e Guantánamo.
Resumidamente, os pontos essenciais da Emenda Platt eram os seguintes:
  1. 1º- Cuba não celebrará qualquer tratado ou pacto que tenda a fragilizar a independência da República.
  2. 2º- O governo cubano não poderá contrair dívidas públicas.
  3. 3º- O governo cubano confere aos EUA o Direito de Intervenção para a preservação da independência e manutenção de um governo adequado à protecção da vida, propriedade privada e cumprimento das obrigações impostas pelos EUA a Cuba.
  4. 4º-Todos os actos realizados pelos EUA durante a ocupação serão ratificados e considerados válidos, bem como todos os direitos adquiridos.
  5. 5º- O governo da República de Cuba executará o saneamento da população, com a finalidade de evitar doenças epidémicas e infecciosas, protegendo desta forma o comércio e o povo de Cuba, tal como o comércio e o povo da parte Sul dos EUA.
  6. 6º- A Ilha dos Pinos fica fora dos limites de Cuba propostos pela Constituição, deixando-se para um futuro tratado a fixação da sua presença.
  7. 7º- Para garantir aos EUA condições que lhes permitam assegurar a independência de Cuba e protecção do seu povo, o governo cubano venderá ou arrendará aos EUA as terras necessárias para a extracção de carvão ou estações navais.
              Desta forma, prática e teoricamente, Cuba passou a ser um protectorado dos E.U.A, até 29/Maio/1934, ano em que a Emenda Platt é revogada e substituída por um Tratado de Reciprocidade, pelo qual renunciam ao direito de interferir nos assuntos internos de Cuba, mas vendo confirmados os seus direitos sobre a base de Guantánamo por um período de 99 anos, arrendada por 4.085 dólares/ano. Era então presidente de Cuba Fulgencio Batista e Franklin Delano Roosevelt nos EUA.

           COMO SE DESENVOLVE A DINÂMICA DA REVOLUÇÃO CUBANA
          Quando o ditador Fulgêncio Batista, sem mais condições de manter-se no poder, renunciou durante o reveillon de 1959 e, secretamente, fugiu de Cuba para a República Dominicana, não foi só o seu governo que caiu. Todo o Estado cubano se havia desintegrado e 1959 tornou-se um ano realmente novo. Dias depois, centenas de guerrilheiros barbudos, grande parte de guajiros ---> (trabalhadores do campo), sujos, uniformes rasgados, entraram em Havana, sob o comando de Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Era o clímax de uma epopéia, iniciada por apenas 16 sobreviventes, dos 82 que desembarcaram do iate Granma, no litoral de Cuba, em 2 de dezembro de 1956. Fidel Castro tinha então 25 anos e, durante dois anos, comandou a guerra de guerrilhas, juntamente com seu irmão Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, organizando o Exército Rebelde, que destruiu a ditadura dos sargentos Fulgêncio Batista, respaldada pelos Estados Unidos.
          A revolução cubana foi o fato político mais poderoso e o que maior impacto causou na América Latina, ao longo do século XX, não por causa do seu caráter heróico e romântico ou porque o regime implantado por Fidel Castro evoluiu posteriormente para o comunismo, mas porque ela exprimiu dramaticamente as contradições não resolvidas entre os Estados Unidos e os demais países da região
                        A QUESTÃO DA REVOLUÇÃO COM O COMUNISMO
          Não foram os comunistas que promoveram a revolução cubana, no contexto da na Guerra Fria. Conquanto alguns de seus líderes, como Ernesto Che Guevara e o próprio Fidel Castro, em pequena medida, acolhessem idéias marxistas, eles não pertenciam a nenhum partido comunista e não era inevitável que a revolução cubana se desenvolvesse a tal ponto de identificar-se com a doutrina comunista e instituísse a sua forma de governo. Com razão, o historiador Thomas Skidmore, da Brown University, apontou Cuba como ''um estudo clássico do fenômeno nacionalista'', acrescentando que "o povo podia ver o caráter autoritário do regime", mas  o real apelo do regime de Castro era o nacionalismo. Com efeito, a revolução cubana foi autóctone, teve um caráter nacional e democrático, e a implantação de um regime segundo o modelo dos países do Leste Europeu resultou de uma contingência histórica, não de uma política empreendida pela União Soviética, ma, sim, empreendida pelos Estados Unidos que, sem respeitar os princípios da soberania nacional e autodeterminação dos povos, não aceitaram os atos da revolução, como a reforma agrária, e transformaram contradições de interesses nacionais em um problema do conflito Leste-Oeste.
                                          OS PROCESSOS DA REVOLUÇÃO
           Contra a ditadura de Batista formou-se uma oposição, na qual se destacou o jovem advogado Fidel Castro que, em 26 de julho de 1953, atacou o quartel de Moncada, com um grupo de companheiros. O ataque fracassou e foram todos encarcerados, mas o ditador anistiou os rebeldes em 1955.
          Fidel, impossibilitado de agir devido à rigorosa vigilância policial, procurou exílio no México, onde reorganizou suas forças. No final de 1956, retornou à Cuba no barco Granma, juntamente com aquele que iria ser o seu maior aliado, Ernesto Che Guevara, carregado de armas para iniciar o confronto militar com Batista. Novamente o plano fracassou e Fidel teve que se refugiar com os companheiros em Sierra Maestra, de onde começaram as operações guerrilheiras. Essas operações tornaram-se cada vez mais organizadas e o movimento guerrilheiro cresceu em força e apoio popular enfrentando o poder do ditador. A selvagem repressão desencadeada por Batista aumentou sua impopularidade a tal ponto que, em 1958, os Estados Unidos acabaram suspendendo a venda de armas para o ditador. Em 8 de janeiro de 1959, depois de uma bem-sucedida greve geral, Batista foi derrubado e as tropas de Fidel entraram em Havana.

======> Manuel Urritia Manzano, moderado opositor do regime Batista, ocupou a presidência, e Fidel foi indicado primeiro-ministro. Alguns membros do Movimento 26 de Julho – nome da organização político-guerrilheira chefiada por Fidel – também ocuparam cargos ministeriais.
---------------------------> A RADICALIZAÇÃO

  • O fuzilamento dos inimigos da revolução (o famoso paredón);
  • as reformas urbanas que obrigaram a baixar os preços dos aluguéis;
  • a reforma agrária, de profundidade sem paralelo na América;
          Essas manifestações de radicalismo começaram a inquietar os moderados e, no plano externo, o governo dos Estados Unidos. A resistência do presidente Urritia à radicalização levou Fidel a demitir-se em julho de 1959. Essa atitude suscitou a mais viva manifestação a favor de Fidel e levou, por sua vez, à renúncia de Urritia, que foi substituído por Osvaldo Dorticós Torrado. Fidel voltou a assumir o posto de primeiro-ministro.
           A adesão dos comunistas à revolução, embora tardia, fez com que às audaciosas medidas do novo governo fossem interpretadas como de origem e inspiração comunista, o que não era verdade. De qualquer forma, serviu para encaixar o governo castrista no esquema da guerra fria: se o novo regime não era pró-capitalista, então só podia ser comunista. Essa foi a conclusão dos conservadores e moderados.

          Em 1961, com John Kennedy, os Estados Unidos romperam as relações diplomáticas com Cuba e Kennedy autorizou a invasão militar do país pelos exilados cubanos treinados por militares norte-americanos. No dia 17 de abril de 1961, com apoio aéreo dos Estados Unidos, os contra-revolucionários desembarcaram na praia de Girón, na baía dos Porcos, mas foram derrotados em 72 horas. O episódio esgota a relação diplomáica entre os EUA e Cuba definitivamente. Cuba se aproxima da URSS.

CONCLUSÃO:
          Com a Revolução Cubana O povo foi ao centro da cena histórica e 45 anos depois muitos problemas ainda continuam, mas o fator desigualdade não é crescente, assim como não há a exploração da hegemonia estrangeira de do homem pelo homem.

 O resumo acima foi organizado através das seguintes FONTES DE PESQUISA
[Artigo tirado da 'Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (ADITAL)'

http://www.galizacig.com/actualidade/200401/adital_a_revolucao_cubana_completa_45_anos.htm

http://redalyc.uaemex.mx/pdf/937/93701204.pdf

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/03/414650.shtml

http://super.abril.com.br/cotidiano/se-cuba-houvesse-sido-anexada-pelos-americanos-444593.shtml

http://pt.shvoong.com/humanities/history/488324-emenda-platt/



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